Internacional
Com base no modelo de vigilância “activa“ já experimentado na Grã-Bretanha há vários anos, é fundada em 1986 a 1ª unidade de vigilância epidemiológica do género - a British Paediatric Surveillance Unit (BPSU) e no XXII Congresso Internacional de Pediatria de Amesterdão em 1998, foi decidida a organização de uma rede com base nas 10 unidades nacionais já existentes, a International Network of Paediatric Surveillance Units (INoPSU).
A INoPSU funciona prioritariamente através da rede electrónica da Internet, com ligações entre os sites de cada unidade à unidade mãe, tem como principal objectivo “…promover o desenvolvimento do conhecimento acerca de infecções e outras doenças raras na criança, através da participação dos pediatras numa base nacional e internacional de vigilância“.
O mecanismo de funcionamento das unidades nacionais baseia-se num simples e eficiente sistema postal (tradicional ou via Internet), permitindo que múltiplos estudos prospectivos se realizem simultaneamente em múltiplas áreas da saúde da criança e do adolescente (incidência de doenças raras, eficácia do programa de vacinação, política de rastreio de doenças com transmissão vertical mãe-filho, emergências de saúde pública, etc.), garantindo um elevado nível de confidencialidade.
A base são os registos de informações mensais enviadas a participantes (pediatras e outros, de acordo com as características de cada estudo), para identificação dos casos e seu seguimento posterior.
No final de 1999 as unidades já tinham iniciado 147 estudos de 103 situações diferentes, 63 já tinham sido completados, 8 estudos colaborativos internacionais estavam em curso e, em conjunto, originaram mais de 100 publicações de resultados e recomendações.
Unidade Portuguesa
Para que a Pediatria Portuguesa também participasse nesta rede e as nossas crianças portadoras de doenças menos frequentes e os seus pediatras pudessem beneficiar da existência de um sistema internacional muito alargado de informação específica, no final de 1999 a Direcção da Sociedade Portuguesa de Pediatria iniciou contactos com a Unidade Britânica (BPSU) com a intenção de também fundar em Portugal uma unidade de vigilância pediátrica.
Em 25 de Março de 2000 foi criada a Unidade de Vigilância Pediátrica da Sociedade Portuguesa de Pediatria (UVP-SPP) e nomeada a respectiva Comissão Executiva. No final de 2000 iniciou a formação da futura Comissão Consultiva.
A divulgação da UVP-SPP e dos seus objectivos fez-se a todos os sócios da SPP, quer através de informação via postal, quer no secretariado da reuniões científicas patrocinadas pela SPP, quer nas páginas da Acta Pediátrica Portuguesa.
A primeira reunião da UVP-SPP realizou-se em 9 de Junho de 2000, em Oeiras-Lisboa, dando-se a conhecer a Unidade nas suas principais vertentes e ficando desde logo aberta a possibilidade de os investigadores portugueses se candidatarem à realização de estudos através da estrutura e metodologia da UVP-SPP.
A Ordem dos Médicos, através do Colégio de Pediatria, forneceu os endereços dos pediatras portugueses de forma a garantir que em Janeiro de 2001 a UVP-SPP pudesse enviar informações e solicitar a colaboração de todos os pediatras nacionais, incluindo os poucos que não eram sócios da SPP.
Foi determinado que o primeiro quadrimestre de 2001 para o início da actividade de vigilância, com o envio do primeiro cartão mensal de notificação a todos os pediatras.
A integração da UVP-SPP na rede internacional foi efectivada em 2002.